terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Debate sobre a ACBP a partir da Água em Pasárgada


Olá pessoal, 
Acho que temos aqui uma boa oportunidade de conversa aberta e franca, e vemos que o assunto da água disparou, se conectou em vários outros. Que bom.
Os temas abordados pela Cris são preciosos, nos interessam muito:
1-Se não conseguimos cuidar do Tamanduá, então não adianta gritar pelas águas do Rio Doce, etc. Isso mesmo Cris, essa é uma máxima do movimento ecológico desde os anos sessenta: Pense globalmente, Haja localmente! Essa é uma das principais razões pelas quais vale a pena o esforço de criar alternativas de atuação além da ASPAS em Pasárgada. A ASPAS não tem cuidado do Tamanduá. Veja o Boletim de Ocorrência lavrado pela Polícia Ambiental quando a ASPAS construiu pilares dentro do córrego desrespeitando a APP referente à Mata ciliar. Veja o impacto de construir o parquinho na APP desrespeitando a mata ciliar. Veja o impacto da mudança de pavimento da alameda da Poesia. Veja o impacto de investir mais de cem mil reais para levar a matéria verde daqui por mais de um ano, empobrecendo a regeneração da mata. Veja o impacto de aceitar a mudança da estrada de acesso proposta pela Vale na Expansão Complexo Vargem Grande.
2-Somos uma comunidade, com todas as diferenças e adversidades. Isso mesmo Cris, uma comunidade é feita de suas diferenças, e as diferenças, a diversidade pode ser também a força de uma comunidade. Já dizia Nelson, "toda unanimidade é burra", então criar outras associações não é desistir de um trabalho, ou tirar o time de campo, é colocar mãos à obra, é arregaçar as mangas e procurar outros caminhos, mesmo que seja mais difícil e trabalhoso, por isso, dizer que buscar outros caminhos seja fácil ou cômodo, é uma forma de intolerância. Eu estava na fundação da ASPAS, e na "Ação Entre Amigos" que gestou sua criação. O Jorge, hoje presidente da ACBP, foi o principal motivador e organizador da ASPAS, e seu primeiro presidente. E teve a coragem e disposição suficiente para ver o que deu errado e recomeçar de novo.  
3-Isso é democracia. Essa é uma preocupação crucial Cris, democracia é bem mais que a vontade da maioria, é acima de tudo respeitar os direitos das pessoas, é por isso que se fala em "Estado Democrático de Direito". É por isso que se tem três poderes. Respeitar os direitos significa liberdade de associar-se ou não, sem constrangimento, sem intimidação, sem ser acuado. Respeitar os direitos significa liberdade de ir e vir, sem constrangimento ilegal. Respeitar os direitos significa acesso livre à própria correspondência, sem intermediários. Respeitar os direitos significa não falsear o que se é, não divulgar em placas que um bairro seja outra coisa, podendo obter vantagens, inclusive econômicas, desse mal entendido. Respeitar os direitos significa transporte coletivo circulando além da fronteira de uma cancela. Respeitar os direitos significa que ninguém é soberano para inventar impostos locais, legislar, se dar poder de polícia e de fiscal, se declarar executivo, legislativo e judiciário. Respeitar os direitos é não inventar um falso governo paralelo. Já temos governos até demais, e nossa experiência democrática já é bem precária, clamando por uma democracia direta participativa e menos representativa.   
4-Não é esse meu projeto de vida. Ponto chave Cris, o que estamos construindo aqui e agora, como em todos os lugares, é o futuro. E o futuro é extremamente plástico e maleável, risco e oportunidade. E existem pessoas que querem priorizar o preservar aqui, em lugar de desenvolver aqui. Como diz o Jorge: "as pessoas saem da cidade, mas a cidade não sai das pessoas, elas querem repetir a cidade onde estiverem". Por exemplo, o calçamento original de Pasárgada, está aqui há 40 anos, já integrado no ambiente, é permeável, tem um efeito importante de desacelerar os carros e a ocupação. 
5-E a segurança? Essa é sem dúvida uma grande preocupação de todos Cris. Existem inúmeras possibilidades de construção de projetos de segurança, considerando bairros protegidos, monitorados por câmeras, em parcerias com a Polícia Militar, com rondas, com base de apoio da PM construída pelos moradores, etc. E existem pesquisadores no assunto para falarem e ensinarem sobre esse problema real, de forma concreta e objetiva, fora do mercado de promoção do medo e da insegurança.
6-Porque a nascente da Horizontes secou? Boa pergunta Cris, que tal fazermos um "Fórum das Águas" para discutir isso e outras coisas? incluindo fazer um estudo geohidrológico daqui? 
Abraços
Ricardo

Nenhum comentário:

Postar um comentário