terça-feira, 22 de setembro de 2015

A Diversidade nos Territórios de Vida


Abaixo um texto produzido como contribuição para a audiência pública que deve ocorrer ainda este ano na Câmara Federal sobre os Falsos Condomínios:

Todos os territórios onde vivemos, e tentamos implantar nossa maneira, nosso modo de existir, são disputados por uma diversidade de idéias, opiniões, e de projetos, muitas vezes divergentes, concorrentes, ou até antagônicos. E não há nada de prejudicial nisso, pelo contrário, a diversidade seja bio, seja cultural, seja subjetiva, seja racial, é sinal da riqueza plural da vida. Vale lembrar a célebre frase “toda unanimidade é burra”, do Nelson Rodrigues.
No caso dos “falsos condomínios”, bairros residenciais, que a partir de uma dada associação, tem seu acesso controlado por cancelas, podemos parafrasear essa máxima, dizendo, “toda unanimidade é bruta”.
Isso porque a partir dessa suposta segurança oferecida por uma vigilância particular implantada no bairro, a associação passa a reclamar para si o direito de cobrar, indistintamente, de todos os moradores, até mesmo proprietários de lotes, que sequer freqüentam o bairro, uma taxa como obrigatória.
Se obrigatória, se independente da vontade de associar-se ou não, podemos dizer que a associação passa a cobrar impostos. E, para aqueles que discordam, que tem outra posição, outra opinião, outro projeto para aquele território, essa mesma associação passa a armar-se de uma milícia de advogados para exigir, intimidar, constranger, os discordantes a pagarem seus impostos devidos a ela.
Tenta implantar assim uma unanimidade bruta, além de burra, porque baseada na força, na brutalidade da imposição, da violência simbólica de ser taxado inadimplente, e processado por não pagar.
 Acontece ainda que, a partir da dita cancela e da suposta obrigatoriedade da taxa/imposto implantada, a mesma associação passa a assumir gastos cada vez mais vultosos, com centenas de milhares de reais para os advogados que movem seus processos contra os “beneficiados” moradores e proprietários do bairro, e para construções de portarias, sedes, ou até clubes; além da escalada infinita dos eternamente insuficientes recursos de segurança, com mais câmeras, mais funcionários, mais automóveis, mais ronda, mais de tudo para uma aposta infinita.
É assim que algumas associações desse modelo, em cinco ou mais anos, multiplicam por mil seus ganhos e seus gastos, e vão claro mudando com isso inclusive o perfil dos moradores, habitantes, proprietários, ocupantes daquele território, em última instancia executando um projeto de expulsão gradual e silenciosa baseada no critério econômico: quem não tem recursos para bancar o projeto que se mude dali, estabelecendo uma perfeita Plutocracia local.

Desta forma realiza-se uma limpeza surda pelo critério financeiro, mas também de propostas, idéias, discordâncias, lidando com a diversidade de forma bruta e intolerante, criando uma falsa visão de unanimidade de desejos, vontades, projetos, necessidades, baseada na verdadeira violência dos “falsos condomínios”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário